quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Quatro sentidos

Sentada na minha varanda, vejo o rio refletindo as luzes da cidade. Pelas ruas, há tb luzes de sirenes e de pisca-piscas ainda não retirados. Vejo umas crianças brincando no parquinho aqui na frente, preocupadas apenas com o final das férias. Há pessoas caminhando, num vai-e-vem desordenado, cada uma com seus motivos para praticar exercício.
Da minha varanda escuto o barulho da rede a balançar na varanda de cima. Barulho de carros, das crianças e de buzinas.
Da minha varanda eu sinto o cheiro ruim do rio, o cheiro da cidade grande, da torrada de alho recém-saída do forno, do meu cabelo lavado, cheiro das plantas da vizinhança que não desiste de lutar contra todos esses outros cheiros.
Aqui sentada, eu sinto o vento frio da noite, que vem forte e bate no meu rosto sem aviso nem dó. Emaranha meus cabelos e esfria minha pele. Sinto uma saudade de quem está longe, de quem nem tão longe assim está, de quem acaba de me ligar, de quem vou ver amanhã e de quem talvez nunca mais veja. Sinto uma vontade de estar com alguém, não sei quem, só pra compartilhar esse momento de observação.
Procuro na caixa das lembranças um momento assim. Não encontro. É tudo novo, tudo tensão e atenção. É tudo maravilha da descoberta.

Um comentário:

Nathy Verony disse...

vlw pela recado.
té mais

bjao