segunda-feira, 7 de junho de 2010

De partida

Eu não preciso de suas lágrimas na hora da minha partida;
Eu não quero ouvir sobre seus sentimentos depois de tanto tempo de ausência;
Não quero saber do seu carinho, do seu respeito nem das suas saudades.

Preciso sim da sua presença no meu dia-a-dia,
nesses últimos dias.
Preciso do seu calor, do seu abraço, que me complete com sua companhia.
Quero mesmo é seus olhos olhando nos meus, me dizendo o que não mais preciso ouvir.

Não arrumei ainda as malas, mas está perto o dia da partida.
Não quero levar o que não importa:
as desavenças, o orgulho, o rancor, todas as coisas mal resolvidas.
Quero levar as boas lembranças e a presença real no peso da saudade de quem amo.

E pretendo deixar o meu cheiro, o meu riso, o meu jeito estranho de ver o mundo
E de me relacionar com as pessoas.
Quero deixar aquela boa saudade de tomar uma cerveja gelada
Num dia qualquer, sem ter nem pra quê.
Pra falar de bobagem ou coisas sérias, tanto faz.
Porque o que sempre importou foi o momento único de estar com quem me importo
Com quem eu amo!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ID

No início era apenas ANA.
Também já foi Noca, Nita, Nana.
Tão pequena e desengonçada,
Mas sempre esteve rodeada de amigos, família,
das pessoas que lhe amavam.

Foi crescendo e ganhando outros contornos.
Parecia até que as pernas cresciam mais que o corpo.
Ficou grande, ficou forte, ficou larga.
Ocupava mais espaço do que gostaria.
Com toda sua timidez, quase passava despercebida.

Com o tempo, começou a assumir responsabilidades.
E a querer preencher de histórias
O espaço que seu corpo ocupava no mundo.
Cresceu ainda mais, e apareceu!

Se tornou AMÉLIA! Sim, a mulher de verdade!
E assim passou a descobrir o mundo
E descobrir também sua capacidade.
Fez novos amigos, agregou pessoas.
Descobriu o amor e nunca mais foi a mesma.

Nem ANA, nem AMÉLIA, nem mesmo ANA AMÉLIA.
Tentou Amelie, mas também não funcionou.

Sem identidade, descobriu que é cidadã do mundo.
E resolveu se dar asas, voar por aí,
por sobre os mares, campos e montanhas.
Quer sentir a neve!

Se vai voltar? Não sei.
Com mesmo nome? Provável que não.
Mas sempre haverá um pouco de ANA,
de AMÉLIA, de Amelie, em seu coração.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Eis o que tenho aprendido sobre romances...


"(...)Um romance é feito somente, e tão somente de duas pessoas.
Duas pessoas com passado, mas sem amarras.
Duas pessoas com paixão, mas sem escravizações.
Duas pessoas que se gostam, mas se respeitam.
Duas pessoas que se desejam, mas não se esgotam.

O romance está no coração que bate forte... E tranquilo.

O romance bom, mas bom de verdade mesmo... Não rouba a sua vida de você. Mas a pega emprestada e devolve, todos os dias, transformada... E melhor.

(Karina Cabral)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Advérbios

Milagrosamente, ela voltou!

Maravilhosamente, ela voltou!

Surpreendentemente, ela voltou!

Subtamente, ela voltou!

Saudosamente, ela voltou!

Inesperadamente...

Ela voltou e me ligou,

E fez meu coração pulsar num ritmo diferente.

Salve o Carnaval!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Confiança


Mais triste do que perder a pureza, é a tristeza de perder a capacidade de confiar nas pessoas. Não falo daquela confiança para contar um segredo, um desabafo. Estou relatando sobre desacreditar em limites tênues.
Não sei se a culpa é da vida. Nem sei se é culpa ou consequência natural. E se tiver alguma culpa, talvez seja de Papai Noel, uma das nossas primeiras crenças frustradas.
Depois vem o melhor amigo da escola, que revela seu mais profundo (e tolo) segredo. Os pais, que perdem seus superpoderes, ou talvez ganhem, o superpoder de destruir famílias.
Nós mesmos, qndo desistimos dos nossos sonhos e passamos a não confiar no que somos, no que queremos, no que construímos, no futuro...
Essa sequência louca de coisas que vai nos sugando como um furacão. Já não basta perder a crença, perdemos o brilho, qndo nos deparamos com nós mesmo, em imagem nua e crua, diante do espelho da nossa própria consciência, nosso próprio julgamento.
Não se confia cegamente, não se põe a mão no fogo. Sempre há aquela possibilidade que faz a dúvida pulsar. É qndo temos a única certeza de que isso tudo tb vale para nós.

Isso tudo merece um cigarro, e, em cada trago, tentar absorver aquilo tudo que foi perdido.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010


Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010


"Oh, não! Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais,
mas dói demais sentir."